EUA: Carros avançam contra protesto neonazista e deixam um morto

Um confronto entre supremacistas brancos e pessoas que militam contra o fascismo na cidade universitária de Charlottesville, em Vírginia, deixou ao menos um morto e 19 pessoas feridas. Um veículo atropelou várias pessoas na manifestação, disseram testemunhas. Autoridades afirmaram que o motorista foi detido.

Equipes de emergência transportam uma vítima que foi ferida quando um caro atropelou um grupo de manifestantes no marcha
Equipes de emergência transportam uma vítima que foi ferida quando um caro atropelou um grupo de manifestantes no marcha "Una a direita", em Charlottesville, na Virgínia, EUA - JOSHUA ROBERTS / REUTERS Leia mais: https://oglobo.globo.com/mundo/eua-carros-avancam-contra-protesto-neonazista-deixam-um-morto-21699532#ixzz4pZkU31Fd stest


Em um vídeo divulgado nas redes sociais, um automóvel escuro atinge violentamente a traseira de outro veículo e, em seguida, retrocede velozmente entre os manifestantes. Outras imagens mostram feridos no chão.

"Estou inconsolável porque uma vida se perdeu aqui", disse o prefeito de Charlottesville, Mike Singer, em sua conta do Twitter."Peço a todas as pessoas de boa vontade, vão para casa".

Um dia antes, uma assustadora marcha realizada pela extrema-direita dos EUA, com militantes bradando discurso de ódio contra gays, negros, judeus e imigrantes. Centenas de homens e mulheres se manifestaram na sexta-feira carregando tochas e fazendo saudações nazistas. Segundo a BBC, um homem que participava do ato chegou a gritar "Sim, eu sou nazista".

O protesto foi descrito pelos participantes como um aquecimento para o ato por eles intitulado de "Unir a Direita", previsto para ocorrer neste sábado na mesma cidade. Os supremacistas brancos que organizam o evento dizem que a expectativa é reunir mais de mil pessoas, incluindo os principais líderes de grupos associados à extrema-direita do país.

Durante confronto ocorrido neste sábado, em resposta à manifestação, a prefeitura de Charlottesville declarou estado de emergência e, por meio de um comunicado no Twitter, classificou o ato como uma "iminente guerra civil".

A cidade, de pouco mais de 50 mil habitantes e a apenas duas horas da capital, Washington, foi escolhida como palco dos protestos após anunciar o plano de retirar uma estátua do general confederado Robert E. Lee de um parque municipal. Durante a Guerra Civil do país (1861-1865), os chamados Estados Confederados buscaram independência para impedir a abolição da escravatura. Atualmente, várias cidades americanas vêm retirando homenagens a militares confederados — o que tem gerado alívio para os que defendem o respeito à comunidade negra, e fúria entre os que manifestam atitudes racistas.

Os participantes do protesto desta sexta-feira carregavam bandeiras dos Confederados e gritavam palavras de ordem como: "Vocês não vão nos substituir", em referência aos imigrantes; "Vidas brancas importam", em contraposição ao movimento negro Black Lives Matter; e "Morte aos antifas", abreviação de "antifascistas", como são conhecidos grupos que se opõem a protestos neonazistas.

Estudantes negros do campus da Universidade da Virginia e jovens que se apresentavam como antifascistas tentaram fazer uma "parede-humana" para impedir a chegada dos manifestantes ao destino final da marcha — uma estátua do terceiro presidente americano, Thomas Jefferson.

"Fogo! Fogo! Fogo!", gritavam os manifestantes, de acordo com a BBC, enquanto eles se aproximavam do grupo de estudantes.

Estátua do confederado Robert E. Lee, que o governo da Virgínia pretende retirar. Foi esse o estopim que ocasionou o protesto dos neonazistas - JOSHUA ROBERTS / REUTERS
Em número bem menor, o grupo que fazia oposicão à marcha foi expulso da estátua em poucos minutos.

A polícia, que acompanhou todo o protesto de longe, interviu e separou os dois grupos, enquanto ambulâncias se deslocavam ao local para socorrer os feridos.

"Esta manifestação é ilegal", afirmou um dos policiais aos manifestantes, que se afastaram, conforme relatou a reportagem da BBC.

Segundo a polícia de Virgínia, alguns participantes foram presos durante o confronto. No entanto, o número exato não foi informado.

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