O governo acabou

A força de um governo sempre vai estar concentrada na sua legitimidade originada das urnas. Não é o caso do governo atual que está fincado sob pilares de um golpe de estado e por essa razão demonstra toda sua incapacidade para superar os problemas do país decorrentes de ações voltadas para atender a interesses daqueles que agiram por trás das cortinas. A greve dos caminhoneiros, que paralisa o país, é fruto de uma política neoliberal que despreza o setor social para favorecer investidores.

Essa política de preços dos combustíveis pós-golpe, adotada pela nova direção da Petrobrás, sugere que Michel Temer usurpa o cargo de presidente mas não governa já que não tem qualquer ingerência sobre as decisão de Pedro Parente quando este transforma a Petrobrás numa empresa capitalista, deixando de lado o seu real papel que é o interesse social. Parente foi indicado para a Petrobrás pelo PSDB – a ala que prega o estado mínimo – com autonomia para decidir sobre tudo no setor.

O enfraquecimento da Petrobrás, com a venda de poços do Pré-Sal e de ativos da empresa, incluindo plataformas por valor 3 vezes menos que custou à companhia, pelo atual presidente foi o que resultou nessa política de preços dos combustíveis. Como hoje a União detém apenas pouco mais de 50% de seu controle – o restante está nas mãos de acionistas, a maioria externa – esses “donos” exigem que essa política seja com base no preço do barril de óleo, praticada de acordo com a variação do dólar.

Ora, em relação ao dólar, a moeda brasileira está quase quatro vezes menos, enquanto o barril de óleo está atingindo patamares de US$ 90,00 (noventa dólares). A pressão de acionistas e credores é grande para que os preços alcancem tetos que possam levar retorno ao investimento e aos serviços. Ademais, 60% da gasolina importada pelo Brasil não é mais monopólio da Petrobrás, mas também não é de empresas nacionais. Quem está importando são empresas americanas que ganharam o privilégio com o golpe.

É crível que Michel Temer não tem força alguma para reverter a crise originada com a greve dos caminhoneiros porque lhe falta autoridade para ter atitude frente a posição desafiadora de Pedro Parente, de que a Petrobrás só reduzirá o preço dos combustíveis se ele sair. E só aceitou baixar o preço do diesel nas distribuidoras por 15 dias. Essa atitude do presidente da Petrobrás só faz demonstrar que Temer não tem poder para reagir e que por isso não governa mais.

Tão incapaz de tomar uma atitude, Temer vai ver aumentar a pressão de aliados e talvez de seu próprio partido para que Pedro Parente seja demitido. Essa reação de tucanos como o senador Cássio Cunha Lima parece mais um jogo de cena para tentar salvar o que resta de boa imagem de seu partido. Se Pedro Parente já decidiu ficar é porque ele sabe que Temer não é capaz de demiti-lo. Tal atitude nos dá cada vez mais a certeza de que esse governo, fruto de um golpe, já acabou.