Para o bem ou para o mal

Dias e Castro: encontro informal
Dias e Castro: encontro informal

Apesar da insistência e da firmeza do discurso, as chances de o PT sair com chapa pura nas eleições proporcionais não são muito grandes. O ex-secretário de Governo Merlong Solano já deu a senha que acessa o argumento para que o PT não seja intransigente neste ponto do acordo com os aliados. Para ele, a prioridade do partido é o projeto de reeleição do governador Wellington Dias e isso exige sacrifícios que o PT precisa assumir para que no caminho dificuldades possam ser superadas.

Em sua viagem a Brasília na terça-feira (08), Wellington Dias teve um novo encontro em Brasília com o deputado e presidente do MDB Marcelo Castro. Não foi um encontro formal mas uma conversa pautada sobre sucessão e aliança. O MDB continua pleiteando a indicação do candidato a vice-governador e coligação em todos os níveis com o PT, porém como o partido de Dias continua insistindo em concorrer sozinho, o governador voltou a dizer que vai convencer o partido do contrário.

Não é a primeira vez que o PT tenta fechar questão em torno de uma chapa proporcional isolada. Nas vezes anteriores o partido teve de recuar quando acabou convencido da necessidade de criar as condições estruturais para que a candidatura ao governo, no caso Wellington Dias, não corresse risco. De fato, quando isso aconteceu, na eleição de 2006, a estratégia deu certo. Essa articulação de agora não está se dando tão pacificamente como se imagina, já que o MDB está reagindo.

Nos bastidores, o MDB está acusando o PT de tentar isolar o partido quando fala em disputar sozinho, com chapa pura, as eleições para a Assembléia e a Câmara Federal. O partido, no entanto, faz questão de deixar claro que não são todos os petistas envolvidos neste movimento. Para ele, está havendo intransigência de alguns grupos, conhecidos como tendência interna, que estão agindo nos bastidores para tentar contaminar os demais com o propósito de deixar o MDB fora da chapa proporcional.

Talvez por isso a conversa entre o deputado Marcelo Castro e o governador Wellington Dias em Brasília tenha desviado para este tema. Há da parte do MDB uma pressão para que o governador defina antecipadamente a composição da chapa e que partidos farão parte dela. Como presidente e com delegação do partido para tratar do assunto com Dias, Castro, por ter uma capacidade de diálogo sem forçar os acontecimentos, até já acredita que as chances de aliança em todos os níveis são grandes.

Esses dois meses que antecedem o início do prazo da realização das convenções que homologarão candidaturas e alianças serão de muita tensão dentro da aliança governista. Neste ponto, o governador tem agido com cautela para não criar insatisfações entre os dois maiores partidos da base. Dias ainda se apega a esperança de achar um nome que concilie todas as partes. Como até agora esse nome está difícil de achar, uma hora terá de decidir. Para o bem ou para o mal.