Mais desistências virão

A pouco mais de 60 dias do início do prazo para a realização das convenções que irão homologar candidaturas e alianças para a disputa das eleições presidenciais, o número de candidatos começa a afunilar-se. Depois de Michel Temer, que já ensaia uma aproximação com o PSDB para apoiar a candidatura de Geraldo Alckimin, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, que está filiado ao PSB, anunciou a sua desistência de concorrer à Presidência alegando motivos estritamente pessoais.

Por hora, as desistências se concentram dentro do campo do centro e centro-direita e há ainda uma tendência de retirada de nomes que até o momento não obtiveram o respaldo necessário para seguir em frente. É o caso do ex-ministro da Fazenda Henrique Meireles, que também é filiado ao MDB, e do presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia. Maia, que é do DEM tem poucas chances de viabilizar uma candidatura e muito provavelmente se candidatará a permanecer no mandato.

Em Brasília tem se comentado muito que a ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora Marina Silva, da Rede, é outra postulante que pode abrir mão de disputar a Presidência. Pelas novas regras eleitorais, seu partido tem menos de 1 minuto de tempo no horário da propaganda eleitoral e restrição à participação nos debates, o que praticamente inviabiliza qualquer projeto de chegar ao Palácio do Planalto. Para continuar no processo, Marina poderia pleitear a indicação de vice-presidente.

É possível que com essas desistências o quadro de disputa fique mais enxuto e reduza o número de candidatos que realmente vão brigar para chegar ao segundo turno e o ex-governador de São Paulo possa ampliar seus índices herdando intenções de voto de quem vai ficando pelo caminho. Alckimin está pressionado pelo partido para se viabilizar até o início de julho. Caso contrário, o PSDB será pode tirar João Dória da candidatura a governador e lançá-lo a presidente, enquanto Alckimin vai ao senado.

Pelas últimas pesquisas de intenção de votos, de institutos como Data-Folha, Ibope e Vox Populi, o ex-governador de São Paulo vem mantendo índices de intenção de votos abaixo das expectativas que o colocam numa incômoda posição (5º lugar), mesmo num cenário sem o ex-presidente Lula. Em São Paulo, seus índices ficam abaixo dos índices do candidato a presidente Jair Bolsonaro e de Lula. Essa pontuação baixa no estado que governou até 1 mês atrás, o praticamente inviabiliza como candidato.

A grande dúvida se situa no campo da esquerda onde o PT insiste em que seu candidato é o ex-presidente Lula, que cumpre pena por condenação de 12 anos imposta pelo juiz Sérgio Moro, confirmada em 2ª instância. Impedido pela Lei da Ficha Limpa, Lula dificilmente conseguirá se registrar no Tribunal Superior Eleitoral. Ainda assim, a esquerda já lançou 4 nomes (PT, PDT, PC do B e Psol). Uma divisão da esquerda nesta eleição pode significar que nenhum levará seu candidato ao 2º turno. Como o processo ainda está no início, mais desistências virão.