Análise comprovada

Oito dias atrás comentou-se aqui no blog, sob o título “Espectro de Lula rondará a eleição”, que o ciclo do lulismo não se encerraria com a prisão dele. O resultado de duas pesquisas de intenção de votos – uma do Data-Folha e outra do Vox Populi, divulgadas neste final de semana – veio comprovar a assertiva. Com 31% de intenção de votos medidos pelo Data-Folha e 43% pelo Vox Populi, Lula ainda é o preferido do eleitor para presidente e um forte cabo eleitoral para o candidato que apoiar.

De acordo com o Data-Folha, Lula possui 31% dos votos contra 15% do deputado Jair Bolsonaro, segundo colocado, 10% de Marina Silva, 8% de Joaquim Barbosa, seguidos de Geraldo Alckimin com 6% e Ciro Gomes com 5%, Álvaro Dias, que esteve neste sábado em Teresina, com 3% e Manuela D’Ávila com 2%, e Collor, Rodrigo Maia, Meireles e Flávio Rocha, todos com 1%. Este foi um dos vários cenários que o instituto projetou, com ou sem Lula. Nos cenários sem Lula nenhum candidato passa dos 20%.

As pesquisas mostram que a decisão de banir Lula do processo não facilita em nada a situação dos candidatos da preferência dos grandes grupos econômicos e de mídia do país. Nos cenários sem Lula em que o instituto coloca nomes de dois petistas na corrida presidencial, os índices são baixíssimos mas nenhum deles foi o escolhido por Lula para sucedê-lo na disputa caso não consiga o registro de candidato, no caso o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o ex-governador da Bahia Jacques Vagner.

O ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) só melhora sua posição nos cenários em que o instituto mede as intenções de votos sem Lula – ele flutua entre os 9% e 10% rivalizando com o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, virtual candidato do PSB. A ex-ministra Marina Silva (Rede) consegue manter os mesmo índices, o que lhe impõe dificuldades para herdar o espólio do ex-presidente Lula e com isso se viabilizar para uma disputa no segundo turno eleitoral.

É pouco provável que o PSDB consiga viabilizar seu candidato, no caso o ex-governador de São Paulo e presidente nacional do partido Geraldo Alckimin. A recente blindagem que lhe deu o Superior Tribunal de Justiça, ao impedir que, sem fórum privilegiado, ele viesse a ser investigado na 1ª instância da justiça federal em São Paulo, enviando as denúncias para a justiça eleitoral, não melhorou seus índices. Se as eleições fossem hoje, Akckimin estaria bem longe de passar para o segundo turno.

Não há dúvida que o resultado dessa pesquisa joga o pleito eleitoral para uma disputa plebiscitária e porque não dizer maniqueísta. A esquerda está dividida entre nomes como Ciro Gomes, Manuela D’Ávila, Lula e os prováveis candidatos do PT caso Lula não consiga o registro. Fica fora Joaquim Barbosa, porque não é político e não possui perfil de quem milita na esquerda. O que se pode dizer é que ele pende mais para o centro-direita. De qualquer sorte só o tempo dirá se Lula será candidato ou não. Mas se não for, uma coisa é certa: seu espectro rondará a eleição.