Uma aventura quixotesca

Em seu livro “Dom Quixote”, Miguel de Cervantes narra as aventuras de um cavaleiro anti-herói parodiando os romances de cavalarias da época mas suas fantasias, de imitar seus heróis, são sempre desmentidas pela dura realidade. A citação da obra de Cervantes é para ilustrar o fato resultante do anúncio da decisão do atual presidente do Conselho Nacional do Sesi João Henrique de desistir de pleitear a indicação de candidato a governador do Piauí pela legenda de seu partido.

Desde o início se disse aqui nesta coluna que as chances de João Henrique conseguir ter seu nome aprovado na convenção do MDB eram remotíssimas, já que os políticos que comandam o partido no estado estão fechados com o governo do estado e o projeto de reeleição do governador Wellington Dias e não abririam mão de disputar as eleições com as facilidades que um palanque governista oferece. Por ter o controle dos convencionais não iriam entrar numa aventura de candidatura própria sem viabilidade.

Assim como as viagens de Dom Quixonte pelo “mundo” no romance de Miguel de Cervantes, tendo ao seu lado o inseparável companheiro Sancho Pancha, João Henrique, respaldado pela força econômica do órgão ao qual está vinculado, criou uma tal caravana para percorrer o estado. Foram viagens inúteis do ponto de vista eleitoral e partidária. Primeiro porque as pesquisas de intenção de votos o colocaram em posição pouco viável e seu partido, em nenhum momento, abraçou seu projeto.

Não era a primeira vez que João Henrique tentou forçar seu partido assumir um projeto de candidatura. Em duas oportunidades anteriores seu plano fracassou. O primeiro em fevereiro de 2002 se deu numa prévia para decidir se o partido apoiaria um candidato próprio (no caso ele) ou a candidatura do à época prefeito de Teresina Firmino Filho. Foi derrotado. A segunda, em 2006, ele queria ser o indicado para o cargo de vice de Wellington Dias. Foi para a disputa na convenção e perdeu.

Nesta terceira tentativa para conseguir que o MDB abraçasse mais um projeto seu, o plano sequer chegou a ir para a votação. O MDB até sugeriu a convocação de uma prévia mas ele, sabendo que não teria chance, preferiu deixar para a convenção a decisão. Sabendo que mais uma vez seria tragado numa convenção, o presidente do Conselho Nacional do Sesi preferiu ficar pelo caminho evitando assim uma nova derrota iminente da onda governista que tomou conta de seu partido.

O que chama a atenção é a justificativa de João Henrique para encerrar o projeto da candidatura ao governo do estado. Ele disse que foi chamado a Brasília para coordenar a campanha presidencial de Michel Temer. Ora, Michel Temer tem a seu serviço, os ministros da Casa Civil Eliseu Padilha, Secretaria de Governo Carlos Marun, e Moreira Franco, da Secretaria Geral, por que chamaria João Henrique? Foi uma boa tentativa dele para encontrar uma saída honrosa para essa sua aventura quixotesca.