Sem bússola, sem rumo

Sem definição partidária, Dr. Pessoa perde espaço para concorrente
Sem definição partidária, Dr. Pessoa perde espaço para concorrente

Na próxima quarta-feira (07) abre-se o prazo de 30 dias para que deputados federais e estaduais com mandato a ser renovado em outubro possam trocar de partido e disputar as eleições pela legenda que escolher para seu novo abrigo. O deputado Dr. Pessoa, que tem pregado uma pré-candidatura de governador, vem colecionando fracassos na tentativa de encontrar um partido que lhe assegure a legenda para levar adiante o seu projeto de se candidatar ao Palácio de Karnak nas eleições deste ano.

O último revés do parlamentar foi tentar conseguir a legenda do Rede Solidariedade, liderado no país pela ex-ministra e candidata a presidente da República pela terceira vez, Marina Silva, para ter a legenda. Esbarrou numa restrição pouco comum a partidos destituídos de cultura ideológica: a inexistência da prática do aluguel de sigla. Até que a possibilidade de ingresso no Rede não foi lhe foi negada mas a partir do momento em que reivindicou para si o controle do partido, as coisas mudaram.

Não houve entendimento e o pré-candidato a governador voltou para Teresina como embarcou: filiado ao PSD. Com isso, o plano de Pessoa em ter um partido para chamar de seu volta à estaca zero. Ele terá que buscar uma nova opção, que já são quase nenhuma, para dispor de uma legenda que lhe assegure o registro. O próximo alvo foi o PPS, que já passou por muitas mãos e volta sempre para as de Celso Henrique, funcionário da prefeitura de Teresina. O último foi o ex-governador Zé Filho, que até já desfiliou-se.

A procura por um partido está causando um desgaste substancial na imagem de Pessoa, porque a busca o coloca numa situação de isolamento já que além de não conseguir um partido, as chances de atrair apoio ele vai deixando escorregar pelos dedos. Não é exagero afirmar que o deputado tem uma boa dose de potencial eleitoral mas ainda bem limitado pela incapacidade de conseguir adeptos, tanto de lideranças municipais e estaduais quanto de partidos para formar uma frente.

Nessa perspectiva, o Dr. Pessoa começa a perder terreno para a candidatura do tucano Luciano Nunes que está conseguindo reunir em torno deles (além do seu) dois partidos que despontam no plano nacional: o PSB e o DEM. Com efeito, esses partidos darão ao candidato do PSDB a estrutura de que ele precisa para fazer sua campanha e chegar nos municípios ter um palanque para “vender” seu nome, ao passo que sem partido e sem possibilidade de alianças, o deputado do PSD terá dificuldades para decolar.

O mês de março será decisivo para o futuro do projeto de candidatura a governador do deputado Dr. Pessoa. Diante das dificuldades para achar uma legenda, o deputado terá de partir para o “qualquer um serve” e com isso tentar se viabilizar. Não será fácil pois na tradição das disputas estaduais pelo governo não há espaço para o equilíbrio entre três candidatos. A tendência é uma polarização entre Wellington Dias e Luciano Nunes. O que se nota, pela dificuldade de achar uma sigla, é que o Dr. Pessoa perdeu a bússola e está sem rumo.