O Plano B da vice, vai funcionar ou não?

A informação de que o governador Wellington Dias (PT) adiou para abril a escolha do nome de seu companheiro de chapa é precipitada na medida em que esta data do calendário eleitoral estipula apenas o prazo para as filiações e troca de partidos, além da desincompatibilização de quem ocupa cargos de comando nos vários escalões da administração pública. As definições sobre candidaturas e alianças ocorrem somente em julho, mês em que o calendário prevê a realização das convenções partidárias.

Enquanto tiver prazo e puder, obviamente, o governador vai postergar o máximo a definição porque ela envolve fatores políticos, partidários e até pessoal, e pode causar fissuras na base governista. Por enquanto, dois partidos – o PP da atual vice-governadora Margarete Coelho e o MDB do presidente da Assembléia Themístocles Filho – reivindicam o direito à indicação. A idéia do governador é levar para julho, a fim de que essa definição não seja marcada por traumas políticos e descontentamentos.

Já passou pela cabeça do governador a escolha de um terceiro nome para acalmar os ânimos e evitar o acirramento mas por enquanto essa alternativa não teve sucesso. O senador e presidente nacional do PP Ciro Nogueira foi o escolhido por Wellington Dias para levar formalmente um convite ao ex-senador João Vicente Claudino para ser seu candidato a vice-governador. Dias disse a alguns interlocutores ter uma dívida com JVC e não pretende deixar a política sem quitá-la. A hora é essa, segundo ele.

A resposta de João Vicente foi a mesma declaração que tem dito reiteradas vezes: não será candidato no palanque do governo. Pela resposta, a dívida que Wellington Dias tem com JVC se transformou em ressentimentos uma vez que tem procurado se distanciar politicamente do governador, mesmo com seu retorno ao PTB. O ex-senador tem dito que se o partido decidir pela permanência no governo se recolhe e engaveta seu projeto de retornar às disputas eleitorais e fica fora da eleição.

Embora não tenha tratado do assunto em público, talvez pela ausência de provocação, Dias vê em João Vicente uma espécie de Plano B para encerrar a disputa entre MDB e PP pela indicação do nome do candidato a vice-governador. Mesmo que deputados do PTB tenham começado a espalhar que o PTB vai integrar a chapa majoritária da aliança governista – e o nome da deputada e secretária de Infra-Estrutura Janaína Marques aparece no cenário – só JVC é o nome para provocar um recuo nos dois partidos.

Como a insistência é uma das características do perfil político do governador, o que se sabe é que ele vai buscar até julho convencer o ex-senador voltar a fazer campanha ao seu lado. João Vicente não só tem resistido ao assédio do governador, através de seus emissários, como vem transitando com desenvoltura entre os partidos e líderes da oposição. No meio desse estica e puxa a aposta é saber quem no final vai manter a posição ou recuar e se o Plano B da vice de Wellington Dias vai funcionar ou não.