Sem sentido algum

Foi surpreendente a forma como a oposição reagiu ao resultado da primeira pesquisa de intenção de votos feita pelo Instituto Amostragem e divulgada nesta segunda-feira (19). Nela, o governador Wellington Dias (PT), candidato à reeleição, aparece com 48% das intenções nos quatro cenários e no levantamento espontâneo e pelo resultado não haveria segundo turno. O que chamou a atenção foram as críticas, todas questionando os números tanto do governador (alto) quanto de seus virtuais adversários (baixos).

Ora, esta foi a primeira pesquisa sobre intenções de voto para governador, faltando ainda pouco mais de 5 meses para o início da campanha eleitoral. O quadro de disputa neste momento é este. Quem for capaz de afirmar que hoje o governador não é o grande favorito para vencer as eleições está enganando a si próprio. Agora, afirmar que daqui a 5 meses o quadro sucessório será o mesmo aí é querer praticar exercício de advinhação, uma vez que em julho com certeza a conjuntura pode ser outra.

Neste momento, porém, é contraproducente e até precipitado fazer uma avaliação negativa de um resultado de pesquisa que lhe é desfavorável. A campanha nem teve início ainda, o processo sucessório mal está em seu começo e a oposição nem tem um candidato definido ainda. Em vez de atacar a pesquisa, a oposição devia aproveitar o que ela está mostrando para definir estratégias e como preparar o terreno para fazer seu candidato deslanchar e conquistar espaço nesta etapa do processo.

A pré-candidatura do deputado Luciano Nunes acabou de sair do embrião e não era, como não é, possível que já arrancasse com índices elevados. O prefeito de Teresina Firmino Filho, que não é candidato, aparece com 11% das intenções de voto porque é um nome conhecido no estado e, principalmente, na capital onde exerce o 4º mandato de prefeito. Se o Dr. Pessoa tem que variam de 7% a 9%, deve-se atribuir grande parte em Teresina onde ficou conhecido e até disputou a prefeitura. No interior não foi bem.

No cenário sem Firmino Filho pode-se observar que a migração de votos para Luciano é bem menor do que para Dr. Pessoa, João Vicente – outro nome da lista – e o próprio Wellington. Isso deveria ser avaliado e não criticado. Embora apareça em quarto lugar no levantamento, Luciano Nunes ainda é o nome que pode vir a polarizar com Dias e não os outros nomes que estão tentando se viabilizar pelo fato de ser único com a tendência de unir em torno dele toda a estrutura partidária oposicionista.

Independente de vir a levar a disputa para o segundo turno ou o desfecho da eleição se dá ainda no primeiro turno, Luciano tem a seu favor partidos como o PSB, PSDB e DEM que lhe darão suporte partidário para fazer sua campanha, o que não é o caso dos candidatos Dr. Pessoa e João Vicente; o primeiro cujo partido forma base com o governo, e o segundo sofre do mesmo problema. Sem partido candidato nenhum faz campanha. Por essa razão é que o estardalhaço da oposição foi sem sentido algum.