O que diz Joesley Temer é

Os apoiadores do governo Michel Temer, como é natural, estão a todo custo tentando desqualificar as declarações do empresário Joesley Batista à revista Época neste fim de semana, que apontou o ocupante do Palácio do Planalto como o chefe da maior e mais perigosa organização criminosa do país. O chamam de corruptor-mor do esquema de corrupção descoberto pela Operação Lava Jato. Só que do ponto de vista jurídico, as declarações dele fecham com suas delações e para a justiça servem como elementos.

O que Joesley disse à revista é aquilo que todo o Brasil já sabe – ou já sabia quando as investigações chegaram ao PMDB. Temer sempre foi o chefe do grupo desde que ele (seu grupo) fazia parte do governo Fernando Henrique Cardoso (1995/2002) e o hoje chefe da Casa Civil Elizeu Padilha representava o esquema no Ministério dos Transportes. De lá para cá, a cúpula ganhou novos adeptos como Moreira Franco, Eduardo Cunha, Gedel Vieira Lima e outros de menor expressão.

Não há mais nada na descoberta das patifarias de Michel Temer e sua quadrilha que o Brasil precisa conhecer. O que se lamenta é o país ter que conviver com um homem de conduta inadequada para o exercício do cargo de presidente da República e não há um jeito de substituí-lo, uma vez que sua permanência tem o apoio de um congresso de parlamentares de conduta nada republicana, que basta um agrado (a liberação de uma emenda é um deles) para firmar posição a favor dele.

Basta ver que foram apresentados na Câmara dos Deputados 15 pedidos de impeachment de Michel Temer mas até o momento o presidente, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), outro delatado na Lava Jato, não manifestou interesse e determinar a leitura em plenário, fato que marca o início da tramitação. Maia transita livremente entre seu gabinete da câmara e o Planalto com a desenvoltura de um cúmplice de Temer frustrando toda e qualquer esperança de que um processo de impeachment faça o Brasil se livrar de vez de um presidente indesejável.

É incrível como no Brasil há elementos que defendem a permanência de um sujeito corrupto no cargo de presidente, alegando que, com ele fora, o país corre riscos ainda maiores. Isso porque Temer é um elemento de direita. Mas vamos imaginar que fosse um petista na situação de Temer. Até as eleições diretas seriam aprovadas com a maior urgência. O que essas pessoas ignoram é que será muito difícil o país sair da crise tendo na Presidência uma pessoa sem credibilidade.

Dada a situação, Temer governa como um ditador. Baixou ato colocando o Exército na rua para conter uma manifestação contra seu governo; determinou à Agência Brasileira de Informação (Abin) para fazer um dossiê sobre o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, que o está investigando. Fora outros atos próprios dos ditadores. Tudo para se manter no poder. O que parece é que Temer vai concluir o mandato, uma vez que o Supremo Tribunal Federal, última fortaleza para a defesa da Constituição, não tem a coragem de tomar medidas legais para afastar Temer. As declarações de Joesley é só mais uma constatação daquilo que o Brasil já sabe do presidente.